24 julho 2011
E mais um dia de lágrimas nos olhos...
"Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam..."
[Pablo Neruda]
22 julho 2011
É minha só, não é de mais ninguém*...[Hoje: 120 dias sem ele]
12 junho 2011
E o [tão temido] dia chegou...
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| ** Saudades ** |
Os outros são os outros
Na gente separado
Eu tenho mil amigos mas você foi
O meu melhor namorado
Entre flores e declarações
Eu tento te esquecer
A minha vida continua
Mas é certo que eu seria sempre sua
Quem pode me entender
Depois de você, os outros são os outros e só
08 junho 2011
E Não Importa o Tamanho do Meu Sorriso...
...A Dor Continua Aqui...
Às vezes acho que é questão de saber disfarçar... camuflar... deixar escondido... Ou, até quem sabe, fingir... Não sei... Acho estranho, porque eu não sei fazer essas coisas. Não sei disfarçar, nem fingir. Muito menos esconder o que sinto...
Quando paro pra pensar nisso, lembro que a dor sempre esteve aqui. E daí eu me pergunto: onde ela "se esconde" na hora em que eu consigo sorrir?
06 maio 2011
Hoje é dia de agradecer!
"Um verdadeiro amigo é aquele que entra
quando todos os demais se vão."
Posso dizer que sou uma pessoa de sorte, apesar de toda essa tragédia que aconteceu em minha vida. Nunca pensei que tivesse amigos tão bons e verdadeiros, como sei que tenho agora. Às vezes imaginamos que pra ser amigo, é preciso estar perto, fisicamente falando. Mas não. Isso não é tão necessário assim.
É por isso que hoje vim agradecer a todos os amigos que ficaram comigo nesse momento, que pegaram minha mão (mesmo de forma simbólica) e disseram: "Estou com você", "Estou aqui se você precisar", "Você é forte", "Você vai conseguir superar", e tantas outras palavras de incentivo. Agradeço também as pessoas que mesmo não me conhecendo, me presentearam com gestos de amizade que nunca mais vou esquecer.
Confesso que tive boas surpresas em relação a isso. Pessoas que mal me conheciam fizeram questão de dar esse apoio. E também pessoas que nunca me viram na vida, ficaram solidárias a minha dor. E continuam assim… Recebi e-mails e comentários aqui no blog, de pessoas que eu NUNCA imaginei que iria receber.
Um e-mail específico me deixou bem surpresa. Uma pessoa que imaginava que eu não gostava dela [e que eu tinha a mesma impressão em relação a essa pessoa, ou seja, que a mesma não gostava de mim], preocupou-se comigo, sofreu junto e fez questão de me consolar nesse momento de dor. Fiquei muito surpresa com a atitude dessa pessoa. Confesso que eu não esperava. E hoje eu reconheço a maturidade e o bom coração que essa pessoa demonstrou ter, apesar de todos os "aborrecimentos" que tivemos no passado.
Também quero dizer que entendo os amigos que, apesar de me conhecerem há vários anos, não "compareceram". Muitos me encontram hoje e dizem: "_Beth, eu não fui falar com você, porque eu não sabia o que dizer…" E eu compreendo porque um dia eu já fui assim. Eu deixava de ir falar com as pessoas que estavam passando por um momento difícil, simplesmente porque não sabia o que dizer… Mas hoje, depois de ter passado por tudo isso, sei que a simples presença de alguém que a gente gosta num momento como esse, já é o suficiente. Um abraço, mesmo vazio de palavras, já causa um grande conforto. Hoje eu sei disso porque passei. Mas antes eu não sabia… Por isso entendo quem se "ausentou"… Essas pessoas podem ter ficado ausentes "fisicamente", mas sei que estavam comigo "em pensamento".
Acho que quando alguém me fala alguma coisa, seja aqui no blog através de comentários, seja pessoalmente, não tem noção do quanto isso me faz bem. Só em saber que a pessoa preocupou-se comigo, lembrou de mim, me ouviu, leu o que eu escrevi, ficou solidário, nossa, isso já faz um grande bem.
Passar por uma situação dessas não é difícil. Tem horas que imaginamos que não vamos conseguir suportar. E são nessas horas que os amigos se tornam imprescindíveis. Eles chegam, te confortam, dizem coisas para levantar sua autoestima, te abraçam, te carregam pra jantar em algum lugar na intenção de te distrair… Enfim, como diz o ditado: "quem tem amigo, tem tudo". E eu sou feliz por ter amigos tão bons.
Por isso, hoje resolvi agradecer a todos os amigos que tornaram esse momento um pouquinho menos difícil. Que prestaram sua solidariedade e que comprovaram que, até mesmo dos acontecimentos ruins, conseguimos extrair algo de bom. Obrigada a todos vocês!
"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça.
No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade." (Confúcio)
05 maio 2011
44 dias…
E quando eu penso que as lágrimas já se esgotaram, uma nova [e grande] remessa delas caem dos meus olhos… Queria entender porque é assim… Do nada um pensamento me vem à mente, e instantaneamente começo a chorar. E momentos assim podem acontecer em qualquer lugar…Vendo TV, lendo um livro, vendo fotos de casais, abrindo minha caixa de e-mail e até na hora do banho.
São crises agudas de saudade… aquela dor bem fininha que vem esmagando o peito, tirando meu ar… As lembranças boas não são capazes de conter minha tristeza em dias assim. Nada me faz esquecê-lo por 1 hora que seja… Se fecho meus olhos por um segundo, lá me vem a imagem do meu Bb… Tento a todo custo direcionar meus pensamentos também para outras coisas… Mas são raras as vezes que consigo.
Os sonhos são constantes. Não há uma só vez que eu durma e não sonhe com ele… Alguns sonhos são bons, outros nem tanto… Porém, é como se nesses sonhos eu pudesse matar um pouquinho da saudade que sinto… Pudesse ficar perto dele novamente…
Hoje não tá sendo um dia bom. O tempo passa e a falta que sinto dele só faz aumentar. Escrevo pra aliviar, pra desabafar, pra me libertar dessas coisas que ficam martelando aqui na minha cabeça… Apesar de tentar ser forte, tenho meus momentos de recaída, de solidão acentuada… Fico pensando nos dias em que nos despedíamos pela manhã, e por um motivo ou outro, passávamos o dia inteiro sem nos falarmos (em dias normais, nos falávamos várias vezes por telefone, msn ou twitter)… Quando chegava a noite, parecia que tinha sido uma eternidade separados… Era uma saudade tão grande… e tão recíproca… E eu dizia: _Como pode Bb? Nos vimos hoje pela manhã e só porque não nos falamos durante o dia, já fica essa saudade desse tamanho? Então, ele respondia: _É porque, meu Bb, nós não podemos mais ficar separados… nunca mais.
E agora eu estou aqui… Há 44 dias enfrentando essa separação involuntária. E o pior é saber que nenhum de nós dois quis isso… São 44 dias sem vê-lo, sem tocá-lo, sem ouvir sua voz, sem receber seus carinhos, sem sentir o cheiro de sua pele (às vezes mato a saudade cheirando uma camisa que ele tinha usado 2 dias antes do acidente… o cheiro dele ainda está todinho nessa camisa…), sem sentir seus beijos me acordando todas as manhãs, sem receber todas as noites um "Boa Noite, meu Bb! Te amo bem muitão, viu?". São tantas coisinhas que aconteciam diariamente e tão frequentemente… Coisinhas que pareciam tão pequenas, mas que hoje deixaram um buraco enorme no meu dia… É muito difícil me acostumar com essa nova realidade. Muito difícil mesmo… Então, eu mergulho nesse pranto que parece sem fim…
Peço que vocês, leitores, me desculpem por compartilhar esses momentos tão tristes… Agradeço todas as visitas, mas não se sintam na obrigação de ler nada, de comentar nada… Só peço que compreendam minha necessidade de externar isso que sinto. É forte demais pra ficar tudo guardado aqui dentro de mim. Não é sempre que tem uma pessoa disposta a me ouvir, por isso jogo tudo aqui no blog, que tem sido minha "válvula de escape" (Subst. Fem.: Dispositivo que, adaptado a um reservatório sob pressão, se abre automaticamente quando a pressão interior ultrapassa determinado limite).
Não é minha intenção ficar enchendo o saco das pessoas com minhas lamentações… Gostaria muito de poder colocar aqui coisas engraçadas, alegres… Mas infelizmente a alegria tá meio ausente de minha vida… A "graça", então, nem se fala… Mas um dia sei que isso vai passar… Porém, todas as vezes que a tristeza me consumir de forma mais intensa, como hoje, terei que tirá-la um pouco de mim, escrevendo sobre isso aqui nesse meu velho, fiel e bom "divã virtual"…
04 maio 2011
Vento no Litoral
03 maio 2011
È l'inquietudine di vivere la vita senza te
"Non è possibile
Dividere
La vita di noi due
Ti prego aspettami
Amore mio
Ma illuderti non so...
La solitudine fra noi questo silenzio dentro me
E l'inquietudine di vivere la vita senza te
Ti prego aspettami perché
Non posso stare senza te
Non è possibile dividere la storia di noi due"
| La Solitudine |
Essa música sempre foi uma das minhas favoritas… Hoje escutei e ela não saiu mais da minha cabeça… Acredito que foi por encontrar nela alguma semelhança com o meu atual momento… Afinal, esse sentimento chamado "solidão" nunca se fez tão presente em minha vida…
Tradução: aqui
01 maio 2011
Como se fosse o último dia…
"Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor..."(Epitáfio-Titãs)
A gente diz tanto isso, né? "Viver cada dia como se fosse o último"… Mas seria tão bom se levássemos isso a sério mesmo. Eu fico aqui pensando sobre esse ditado… Sei que não dá pra fazer tudo o que queremos em um único dia. Mas às vezes adiamos tanto as coisas, planejamos tanto, deixamos "para amanhã" ou para o ano que vem… E, pouco a pouco, vamos perdendo o tempo que possuímos… Um breve tempo de 24h.
Um dia… O que é um dia? Aliás, o que dá pra fazer em um dia? É…é mesmo pouco. Mas infelizmente é tudo o que temos. Ou às vezes, nem isso temos…
Quando a saudade aperta, eu fico imaginando que nem todos os beijos, nem todos os abraços, nem todas as vezes que nos amamos, nem todas as viagens que fizemos, nem todas as noites em que dormimos juntos, nem todas as risadas que compartilhamos, nem todos jantares, nem todas as conversas, foram suficientes para me livrar dessa sensação de querer [e de saber] que poderia ter sido mais … Agora parece que foi tudo tão pouco… E é porque vivíamos grudados, dizendo vários "eu te amo" por dia, nos beijando sem parar, nos abraçando a toda hora…
E então eu me pergunto: poderia ter sido mais? Talvez. Penso nesse "talvez", mesmo sabendo que vivemos nossa relação de forma intensa. Mesmo sabendo que fizemos tudo o que foi possível fazer nesses 2, 3 anos que passamos juntos… Mesmo sabendo que não deixamos pra ser feliz depois…
No entanto, às vezes guardamos aquele "eu te amo" pra uma ocasião especial, ou pra dizer a noite… Deixamos aquele abraço pra o dia do aniversário… Deixamos aquele projeto para o próximo ano. E quando nos damos conta, não haverá mais "hoje à noite", ou "amanhã", ou o "ano que vem".
Olhando agora, depois de tudo o que aconteceu, daquelas 24 horas que ele não teve mais, daquele "amanhã" que nunca mais virá pra ele, eu fico com a sensação de que foi tudo muito intenso e bom, mas que foi pouco. E a sensação de impotência que vem junto, é horrível. Não dá pra voltar no tempo.
Por ainda estar deitada em minha cama naquele dia, faltou um abraço forte e apertado… faltou dizer que ele era o homem da minha vida (como eu já tinha dito tantas vezes)… faltou dizer o quanto ele era importante pra mim (por mais que ele já soubesse disso, por eu já ter dito e demonstrado)… faltou um beijo mais demorado… faltou um simples adeus…
Mas como eu poderia saber que aquela seria a última vez? Como? Como imaginar que aquelas seriam suas últimas palavras, a última vez que eu ouviria sua voz? Como prever que aqueles seriam os últimos beijos? Como acreditar que aquele foi o último dia, a última manhã em que acordamos juntos?
Se ele tivesse me deixado por outra, ou sei lá, tivesse deixado de me amar um dia, eu ficaria triste, magoada, talvez até com um pouco de raiva, mas ainda assim, teria a chance de dizer-lhe algo. Mas do jeito que foi, não… Não dá pra dizer mais nada. É uma parte de mim que se cala. Um amor que vou ter que guardar em algum lugar aqui dentro de mim, e não vou mais ter a chance de dedicar ao ser amado. Um carinho que eu não tenho mais como demonstrar… Não pra ele ter a oportunidade de ver ou sentir… E isso é massacrante. Até porque não podemos pegar o amor e guardar dentro de uma caixa [ou rasgar e jogar fora], como eu poderia fazer com as fotos, no caso de um abandono ou de uma traição.
Por isso eu acho que devemos levar isso de "viver cada dia como se fosse o último" bem mais a sério. É triste, mas às vezes isso torna-se verdade para alguém que está bem ao nosso lado…
"Cada um sabe a alegria .... E a dor que traz no coração..." Epitáfio -Titãs
27 abril 2011
Segunda fase?
Desde sábado sinto acontecer uma coisa estranha comigo… Sinto como se só agora tivesse caindo a ficha de tudo o que aconteceu. Não que antes eu não soubesse ou não tivesse noção do que havia acontecido. Eu sabia sim. Desde o início… Mas era como se a qualquer momento eu ainda fosse acordar, entende? Sentia-me meio que anestesiada, apesar das recorrentes crises de saudade. Por isso me sentia tão forte em alguns momentos.
Só que agora, depois de completar um mês, a esperança de acordar do pesadelo, está ficando menor a cada dia. Na verdade, ela se foi subitamente… Hoje é difícil pensar nele, olhar uma foto, falar sobre nós dois, ver um Ford Ka prata ou ir visitar seu túmulo, sem derramar lágrimas de dor, desgosto, saudade... Antes eu fazia tudo isso de forma mais tranquila. Hoje não estou mais conseguindo…
Parece que o "faz-de-conta-que-nada-aconteceu-que-eu-estava-vivendo-de-forma-inconsciente" acabou. Sinto que agora o "ele tá morto" é realmente verdade. A enxurrada de realidade veio toda de uma só vez. E isso tá doendo tanto…. Tá doendo mais ainda. A saudade tá ficando mais forte… Bem mais forte. E bem mais dolorida também. As lembranças estão me castigando de forma mais agressiva. Um minuto sem que algo bom prenda minha atenção, e meus pensamentos se voltam para o que aconteceu. Nesse momento o peito aperta e não seguro o choro.
Penso que talvez essa seja a segunda fase desse meu luto. Uma fase mais problemática, onde eu terei que cuidar muito mais "dessa parte de mim" que está mais debilitada. Infelizmente não tenho como fugir dela. Sei que vou ter que atravessar isso também.
Hoje foi a primeira vez que eu visitei o túmulo dele e tive a sensação de que o mesmo estava realmente lá. Chorei. Fiquei tão desgostosa… Como imaginar meu Bbzim ali dentro daquele buraco??? Ai como isso me doeu… Acho que nunca tinha sido tão difícil. Não depois do dia do enterro. Ia ao cemitério todos os domingos, mas essa sensação de que ele estava lá, naquele túmulo, nunca tinha me magoado tanto como aconteceu hoje.
Fico imaginando por que nós não achamos uma maneira de nos prepararmos emocionalmente para uma coisa tão certa na vida como é a morte. É estranho. A única certeza que temos sobre a vida, ser ao mesmo tempo aquela que nos causa mais dor... Uma dor que não há remédio nenhum que tire.
Espero pelo tempo ainda… 1 mês foi como 1 dia.
24 abril 2011
A "fome da presença", fica mais forte a cada dia…
Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pêlo,
e pelas ruas vou sem nutrir-me, caladA,
não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra,
busco o som líquido de teus pés no dia.
Estou famitA de teu riso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.
Quero comer o raio queimado em tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas
e famintA venho e vou olfateando o crepúsculo
buscando-te, buscando teu coração ardente
como um puma na solidão Quitratúe.
(Pablo Neruda – Cem Sonetos de Amor)
Obs.: Mudei só o gênero… Ou seja, troquei o "O" por "A". Está em maiúscula.
21 abril 2011
Sonho
Às 6h da manhã de hoje, o despertador toca e me tira do melhor sonho que tive com você, desde a sua morte. Coincidência ou não, ontem eu pedi muito pra sonhar contigo, pois já fazia um tempo que isso não acontecia. Não da forma como já tinha acontecido outras vezes…
A primeira coisa que eu fazia ao te ver, era te dar um abraço beeeem demorado, igualzinho como fazíamos todos os dias. Você estava lindo, bem arrumado, cheiroso e me abraçava bem forte. Dizia-me que estava com muitas saudades e me beijava… Depois me pegava no colo, e eu ficava igual a uma criança grudada em você: com as pernas cruzadas em suas costas e as mãos em volta do seu pescoço.
Nos beijávamos muito… A saudade era tanta… O beijo continuava igual…. quente e amoroso. Meu irmão Cláudio e minha Tia Julia não conseguiam te ver. Viam apenas a mim, como se estivesse no colo de alguém invisível para eles. E então, eu comentava sobre isso com você, ou seja, sobre o fato de eles não poderem te ver… Você só ria! Zombava de Claudinho e dava altas gargalhadas! Aí, eu dizia: "_ Claudinho, ele tá aqui "mangando" de você!!!" Claudinho ria também.
Você me parecia feliz e tranquilo. Depois de passarmos muito tempo grudados daquela forma, nos sentamos em algum lugar. Você começou a mostrar-me uma revista/livreto que tinha várias letras de músicas do Legião Urbana. Me mostrou uma frase de uma música, em especial (depois que acordei, não lembrei com clareza qual foi…). Nessa revista também tinha muitas fotos de lugares que eu nunca vi. Lembro de ter visto um rio raso, cheio de pedras e um lugar formado por portas esculpidas na rocha, meio parecido com falésias…
Eu perguntava que lugares eram aqueles e você dizia que eram propriedades de uns amigos seus (falava o nome de dois amigos que ainda estão vivos). Dizia também que um dia me levaria lá pra conhecer.
E então, você me perguntava assim: "_ Bb, já faz bem 1 ano que eu morri, não é?" Meio que espantada com sua falta de noção de tempo, eu dizia: "_Não, Bb!!! Tá louco!? rs.. Só faz um mês". Intrigado, você respondia: "_Oxe, só isso? Pra mim já faz tanto tempo!" E sorria mais uma vez…
Voltávamos a folhear a revista… Nela tinha tipo uma reportagem falando sobre Ayrton Senna (!). Daí, eu dizia: "_Olhe Bb… você morreu um dia depois do aniversário de nascimento de Senna…" Meio triste, você me dizia que nem data tinha mais pra poder comemorar… Ao que eu respondia prontamente: "_Como assim?! Você tem sim uma data pra comemorar! A data em que você me conheceu!!! Você ria e me dava um cheiro na testa…
Logo em seguida o despertador tocou e eu acordei. Ainda deitada na cama, fiquei com aquela sensação boa de que estive muito perto de você (mesmo tendo sido apenas em um sonho)… Tentei dormir novamente na esperança de continuar sonhando! Lógico que foi em vão. Não consegui mais dormir, pois fiquei pensando no sonho maravilhoso que acabara de ter. Nesse momento não consegui frear as lágrimas… A saudade que senti foi forte demais…
Ps: Os sonhos sempre me deixaram intrigada… Acontecem coisas inexplicáveis neles. Decidi deixar registrado esse aqui no blog por ter sido um sonho bom e que vou querer lembrar durante muito tempo… Às vezes nossa memória não colabora muito. Então, era quase certo eu perder, ao longo do tempo, alguns detalhes. Por isso, deixo-o aqui escrito, tal como aconteceu, ao mesmo tempo em que compartilho com vocês essa experiência. Só peço que não vejam nada de "sobrenatural" em tudo isso. Pra mim foi apenas um sonho… Um lindo e maravilhoso sonho…
18 abril 2011
Várias Toneladas de Saudade (parte II)
(…)
" Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ele para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã.
(…)
Saudade é não saber …
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."
(…)
(Texto de Miguel Falabella)
Ps: Recebi esse texto por e-mail hoje. Uma colega muito querida dos tempos da escola disse que leu e lembrou-se de mim. Agradeço a lembrança, galega linda –> @Aninhaaecio (Ana Cristina). Decidi reproduzir uns trechinhos que expressam exatamente o que sinto nesse momento.
17 abril 2011
Fazendo o Possível…
Essa semana minhas duas filhas fizeram aniversário [Rachel, no dia 14 e Letícia, no dia 13]. Todos os anos faço pelo menos um bolo pra comemorar, ou então as levo para jantar em algum lugar, juntamente com toda a nossa família. Ano passado foi ótimo. Fiz os dois: o bolo e saímos todos pra jantar em um ótimo restaurante… E pra completar, minha cunhada soube na mesma semana que estava grávida da minha primeira sobrinha, o que completou a festa.
16 de abril de 2010
Esse ano tudo mudou. Um lugar ficou vazio na mesa, como bem disse minha cunhada Merciana em seu blog. Uma voz não mais se ouviu. E os sorrisos já não estavam mais tão carregados de felicidade. Mesmo assim, tive que ser forte. Comemorei o aniversário das minhas pequenas, mesmo sabendo que minha alegria não seria mais a mesma, devido aos recentes acontecimentos. Tentei me agarrar nas boas lembranças daquele 16 de abril de 2010 e na alegria que compartilhamos todos juntos. Foi muito difícil lembrar, não chorar, e ao mesmo tempo, ter que me alegrar…
Porém, eu consegui. Por minhas filhas, antes de tudo, que não merecem uma mãe triste e chorosa durante as 24 horas do dia.
Mas também por meus irmãos, minha cunhada e por essa pessoinha aqui, que só trouxe alegria pra vida dessa tia:
Maria Helena, que hoje já está prestes a fazer 4 meses, mas que ano passado por essa mesma época, era só um pontinho no útero de Merciana!
Sei que a vida segue… E a cada dia me dou conta de que preciso continuar vivendo da melhor forma possível. Mesmo carregando as lembranças… Mesmo sentindo essa dor… E mesmo tendo que aprender a conviver com esse lugar vazio ao meu lado…
16 de abril de 2011
15 abril 2011
Várias Toneladas de Saudade…
Saudade do seu corpo, do seu rosto, dos seus olhos…
Saudade de ouvir sua voz, de escutar sua risada, de ouvir seus passos subindo a escada…
Saudade das longas conversas, do abraço apertado, dos cheiros intermináveis que você me dava na fronte…
Saudade do seu colo, de ouvir você me perguntar: Bb, você me ama?, de responder "eu te amo do tamanho do infinito"…
Saudade das brincadeiras, de alisar os seus cabelos, de sentir sua respiração…
Saudade de ver você fazendo a "dança de pororó", de assistir filmes com a cabeça encostada em seu braço, de dormir de "conchinha" nos dias mais frios…
Saudade das teimas, dos beijos que me faziam esquecer o mundo, de mandar você escovar os dentes [quando a preguiça batia em você] antes de dormir…
Saudade da sua presença constante, de te contar as novidades no final do dia, de te falar sobre as novidades no blog…
Saudade de trocar declarações via twitter [mesmo estando ao seu lado aqui no quarto]
Saudade de ver você me mostrar mais um "novo aplicativo instalado no Iphone", de ouvir o "último show do Chiclete com Banana" que você conseguiu baixar na net…
Saudade de sentir você me despertando todos os dias pela manhã, com beijos, cheiros e afagos…
Saudade de sentir você me cobrindo com o seu lençol ao sair para o trabalho, do cuidado que você tinha ao fechar a janela para a claridade não me incomodar, de fechar a porta do quarto pra que ninguém perturbasse meu sono..
Saudade de ouvir você me chamando lá da sala, quando chegava nosso lanche altas horas da noite…
Saudade de rir com você espionando e falando "dos comentários dos folgadinhos" no meu blog…
Saudade de ver você me 'atormentando' pra responder os comentários dos religiosos que se ofendiam com meus textos…
Saudade das nossas viagens ao som de The Cranberries…
Saudade de ir comer pizza sabor "vegetariana com sertaneja", no Chalé, de comer Yakissoba até não aguentar mais, no restaurante chinês, de pedir pra você trazer espetinho pra mim quando vinha do IFRN.
Saudade de reclamar do barulho que você, Rachel e Letícia faziam quando brincavam correndo pela casa …
Saudade de ver você "sabotando" o café de tia Júlia, pra que ele ficasse mais forte…
Saudade de escutar aquele "você é você, Bb" (referindo-se ao fato de ter certeza que eu era a mulher de sua vida e que ia me amar pra sempre)… Saudade da sinceridade que eu via em seu olhar, quando você me dizia isso…
Saudade das coisas tão nossas… aquelas indizíveis, impublicáveis, e extremamente íntimas…
Saudade absurda de sentir seu cheiro, seu gosto, sua pele…
Uma saudade insuportável que me consome todas as horas do dia. Que fica aqui, latejando no meu peito, e lembrando que tudo o que me restou de você, foram as lembranças que guardarei pra sempre… Uma saudade que ainda vem carregada de dor… Aquela dor de saber que nunca mais terei você aqui perto de mim.
12 abril 2011
Onde comportar tanta tristeza dentro de mim ?
10 abril 2011
Ovo Frito
09 abril 2011
Mais um desabafo... Mas por favor, não me atirem pedras...
Talvez alguém até se choque ou fique chateado com o isso, mas quando alguém me fala em Deus nesse momento, e diz que "só Ele" pode me dar conforto, é a mesma coisa de me mandar ligar a TV pra assistir o Faustão pra poder superar a dor que sinto; isto é, não faz efeito nenhum.
Mas isso não quer dizer que você tenha que pensar igual a mim. Nem entender porque eu penso assim. Como eu disse, a conclusão é minha. E a única coisa que exijo das pessoas é respeito. Respeito pelo que digo, respeito pela minha forma de pensar... Até porque é assim que eu ajo diante das diferenças... E espero a mesma postura das outras pessoas.
Por isso não me atirem pedras. Não fiquem magoados com o que estou dizendo. Fiquei muito triste quando eu vi os comentários maldosos que deixaram no blog de Andinho, só porque ele publicava textos de ateus. O pior, deixaram em um texto que nem escrito por ele foi. Cristãos que batiam no peito pra dizer que tinham "Deus no coração", desejando que ele tivesse "uma boa estadia no inferno", ou dizendo que o que aconteceu com ele tinha sido "castigo", porque ele "brincava com Deus". Diziam isso como se morrer em acidente fosse coisa exclusiva de ateus.
Lógico que pra mim essas afirmações são irrelevantes, já que não acredito em céu ou inferno. O que me incomodou foi a falta de respeito perante a dor da família, assim como também o fato de falarem de alguém que não poderia mais se pronunciar. Por que não colocaram esses comentários enquanto ele estava vivo? Já vi que quando eu morrer, vão fazer coisa pior, afinal, eu falo muito mais sobre meu ateísmo aqui, do que ele falava sobre o dele por lá.
Na minha humilde concepção, o que aconteceu com meu Bb foi uma horrível fatalidade. Ele estava no lugar errado, na hora errada. Acaso. Tipo uma bala perdida. Algo que poderia ter acontecido com qualquer pessoa que estivesse passando por aquela estrada, naquela hora, mas que infelizmente aconteceu com ele.
Vocês podem não entender o que eu tô dizendo, ou achar que eu estou ficando doida. Mas a realidade dos fatos me conforta muito mais do que as ilusões e esperanças trazidas com as crenças religiosas. A força que as pessoas dizem que vou encontrar em Deus [ou seja, externamente], estou encontrando aqui mesmo, dentro de mim. E diga-se de passagem, é uma força quem nem eu mesma sabia que possuia.
Eu, particularmente, nunca tive medo da minha própria morte. Não tenho medo de morrer, mas se tem uma coisa que me causa pavor, é a morte das pessoas que amo. E eu nunca tinha enfrentado a morte de alguém tão próximo como tive que enfrentar agora. Uma morte repentina e trágica, de alguém que ainda tinha muita coisa pra viver.
Porém, posso lhes garantir que meu pensamento diário também é outro: o que ele deixou de viver... os planos dele que foram interrompidos... as alegrias que ele não poderá mais desfrutar... os jogos do Flamengo que ele não vai mais assistir... os shows de Chiclete com Banana que ele nunca mais irá... E tantas outras coisas que ele gostava e que não poderá mais fazer, simplesmente porque não está mais vivo.
06 abril 2011
Eu sim, sei o que se passa dentro de mim…
As pessoas sabem da minha dor… Elas 'imaginam' o que eu estou sentindo diante de uma perda tão grande, como foi essa pra mim. Elas também me desejam força, conforto, e que eu me recupere o mais breve possível. Algumas sei que desejam isso do fundo do coração, por gostarem de mim e por vontade de me verem bem.
No entanto, percebo que para outras pessoas não basta apenas saber que sinto essa dor terrível no peito a toda hora. Percebo que 'essas pessoas', apesar de me desejarem 'melhoras', ficam surpresas quando não me vêem chorando ao me encontrarem andando na rua, ou no supermercado, ou no trabalho, ou quando vou almoçar em algum restaurante com minha família. Essas pessoas acham que a dor só pode ser verdadeira, se ela for traduzida em lágrimas que não param de cair dos meus olhos… Elas não entendem que por mais que não me vejam chorando o tempo todo, eu continuo ferida e dilacerada por dentro, mesmo sem lágrimas aparentes.
Choro e choro muitas vezes durante o dia. Sempre que fico sozinha, as lembranças ficam mais fortes e as lágrimas vêm. Amanheço chorando, e adormeço da mesma forma. Confesso que são esses o dois momentos mais difíceis do dia. Fraquejo diante da dor. Expresso parte do que sinto aqui, escrevendo. E, ao mesmo tempo, busco força dentro de mim. E sei que sou a pessoa mais importante para 'me ajudar' nesse momento. Por isso, apesar de toda a tristeza, tento 'ficar forte'. Tento continuar minha vida. Tento não chorar tanto. Tento só pensar em coisas boas. Tento me distrair para não entrar em depressão. Tento, com muita dificuldade, manter uma certa 'normalidade' na minha vida, apesar de tudo o que aconteceu. E, de forma surpreendente até pra mim, às vezes acabo conseguindo.
Porém, se tento tudo isso, não é de modo algum pensando só na minha pessoa. Penso antes de tudo na minha família e na família do meu Bb. Ele eu sei que não pode mais me ver tão triste como estou. Mas meus familiares e meus verdadeiros amigos não iriam gostar de me ver a toda hora, entregando-me à tristeza desmedida. Por mim, mas também por eles, reajo em alguns momentos.
Apesar de ser algo terrível de se viver, sou consciente que preciso passar por tudo isso. Preciso atravessar essa dor e senti-la intensamente em todas as suas nuances. Faz parte de todo o processo do luto. Sei que um dia lá na frente, isso tudo será mais leve. Essa dor talvez não seja mais tão intensa, e no lugar dela, surja o que costumamos chamar de Saudade… Saudade essa que já sinto, mas que vem sempre acompanhada da dor… A mesma dor que "os que não me encontram sempre chorando", acham que já se abrandou no peito…
Não se abrandou. É tanto que nem sorrir direito eu consigo. Por isso, não me cobrem sorrisos, amigos… Não agora. Por outro lado, não me recriminem se em um breve intervalo de tempo, um leve sorriso se esboçar em minha face. Nesse momento estarei apenas tentando continuar minha vida.
Da mesma forma, não me cobrem lágrimas constantes… Elas já jorram sem parar aqui dentro de mim... Acredito que eu não preciso ficar provando a todo momento essa tristeza, que para os que me conhecem de verdade, está mais do que nítida…
E sempre que alguém me pergunta se eu estou bem, eu respondo: "_Não, não estou bem… Mas estou tentando ficar… E sei que isso pode levar bastante tempo…"































