Sabe, eu estava vendo agora há pouco a Sandy sem o Júnior no Programa do Faustão (por pura falta de opção, tá? Enquanto comia um sanduíche, parei pra ver…) e me identifiquei com algumas coisas que ela disse...
Como todo mundo sabe, a Sandy, conhecida pela mídia desde a mais tenra (de onde mesmo eu tirei essa palavra?) idade, sempre foi vista como aquela menininha frágil, boazinha, educadinha, perfeitinha, simpática com todos,
aquela que ia casar virgem, enfim, alguém que parecia não ter defeito de fabricação.
E daí que hoje, lá no programa do Faustão, alguém do público perguntou mais ou menos isso: “Sandy, será que você tem chulé?”, numa forma de perguntar se ela tinha defeitos. E então ela respondeu: “Bem, chulé eu não tenho, mas tenho vários outros defeitos! Eu sou um ser humano como outro qualquer”. E tudo isso, me fez pensar em escrever algo à respeito. Na verdade, a meu próprio respeito…
Quando eu era criança, sempre fui vista como uma “Sandy”, isto é, com todas essas características acima citadas referentes a ela…
Por outro lado, tinha uma prima minha que, pra capeta, só faltava o rabo e os chifres! Nós tínhamos praticamente a mesma idade (ela sendo 1 ano mais velha do que eu). Mas, só como “um aperitivo” do que era a “ferinha”, saibam que ela falava mais palavrão do que qualquer coisa que “uma criança normal” fala. Andava descalça sempre, era reprovada na escola, mandava nossa vó, o pai e a mãe dela tomar no C* (e por isso, todos os dias levava umas “palmadas”), não respeitava ninguém, era desinibida pra qualquer coisa, brigava com todas as crianças da rua, enfim, era uma peste.
Daí, a “Sandy” aqui, perto de uma pessoa como essa (por mais incrível que possa parecer, ela foi a amiga mais próxima que tive durante 13 anos da minha vida…) ou ficava igual, ou se tornava completamente o oposto. E foi exatamente a segunda opção que aconteceu.
Nunca gostei de andar sem sandálias, nunca gostei de chamar palavrão, nunca desrepeitei ninguém, principalmente minha vó e minha mãe, nunca levei uma palmada (segundo minha mãe, porque nunca precisei), era praticamente a “nerd” da sala, sempre fui tímida e nunca gostei de brigas. Ou seja, eu acabei levando o título “boazinha” da história pra casa. Aquele velho maniqueísmo que sempre nos persegue…
Pra falar a verdade, esse era meu jeito mesmo. E nada que eu fizesse poderia mudar (assim eu achava, mas acabei mudando… e muito). Porém, nunca gostei de ser chamada de “a boazinha” (soava como “bobinha”, algo que nunca fui… acho que eu já disse isso a alguém…) ou então, de que achassem que eu era sempre “a-garota-certinha-que-nunca-faria-nada-de-errado”. Apesar de ter a delicadeza e a educação como meus cartões de visita (até que me façam mudar de ideia…), já fiz muita coisa “fora-dos-padrões-da-moral-e-dos-bons-costumes”. Mas deixarei os detalhes para outra ocasião, ou para sua própria imaginação, se assim preferir…rs.
Hoje, eu e essa minha prima já não somos tão próximas. Ela (quem diria!) casou, teve filhos, e atualmente está separada e bem mais quieta.
Eu também estou quase na mesma situação que ela. Porém, mesmo já tendo mudado muito o meu jeito, principalmente em relação à timidez, ainda sou vista como aquela pessoa que será sempre “a boazinha” e que jamais fará mal a alguém (e não farei mesmo, mas…dependendo do “alguém” e da situação, não posso garantir nada…rs). E tudo isso por causa da minha fala mansa, da minha “carinha-de-boa-moça”, e da aparente tranquilidade e serenidade que enxergam em mim. A verdade é que eu acho um saco carregar esse estigma…
Sabe aquela pessoa acima de qualquer suspeita? Aquela que se dá bem com todos? Aquela que nunca fala alto, e nem solta um P***Q**P**** ou um “pum” na frente de alguém? Bom, essa não sou eu.
No entanto, assim como a Sandy, eu também não tenho chulé. Por outro lado, quando não tem muita gente por perto! falo “palavrão” (principalmente no trânsito!), posso ser um tanto quanto “maquiavélica”, vingativa, sem piedade, e uma capetinha quando a situação exige, não faço questão de agradar a “gregos e troianos”, e se alguém pisar no “meu calo”… Sai de baixo!
Sim, eu também tenho defeitos (e muitos…!). Ah, e não sou tão “certinha” quanto pensam…
Essa é que é a verdade….
Por Beth Amorim
















