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27 abril 2011

Segunda fase?

Desde sábado sinto acontecer uma coisa estranha comigo… Sinto como se só agora tivesse caindo a ficha de tudo o quesozinha aconteceu. Não que antes eu não soubesse ou não tivesse noção do que havia acontecido. Eu sabia sim. Desde o início… Mas era como se a qualquer momento eu ainda fosse acordar, entende? Sentia-me meio que anestesiada, apesar das recorrentes crises de saudade. Por isso me sentia tão forte em alguns momentos.

Só que agora, depois de completar um mês, a esperança de acordar do pesadelo, está ficando menor a cada dia. Na verdade, ela se foi subitamente… Hoje é difícil pensar nele, olhar uma foto, falar sobre nós dois, ver um Ford Ka prata ou ir visitar seu túmulo, sem derramar lágrimas de dor, desgosto, saudade... Antes eu fazia tudo isso de forma mais tranquila. Hoje não estou mais conseguindo…

Parece que o "faz-de-conta-que-nada-aconteceu-que-eu-estava-vivendo-de-forma-inconsciente" acabou. Sinto que agora o "ele tá morto" é realmente verdade. A enxurrada de realidade veio toda de uma só vez. E isso tá doendo tanto…. Tá doendo mais ainda. A saudade tá ficando mais forte… Bem mais forte. E bem mais dolorida também. As lembranças estão me castigando de forma mais agressiva. Um minuto sem que algo bom  prenda minha atenção, e meus pensamentos se voltam para o que aconteceu. Nesse momento o peito aperta e não seguro o choro.

Penso que talvez essa seja a segunda fase desse meu luto. Uma fase mais problemática, onde eu terei que cuidar muito mais "dessa parte de mim" que está mais debilitada. Infelizmente não tenho como fugir dela. Sei que vou ter que atravessar isso também.

Hoje foi a primeira vez que eu visitei o túmulo dele e tive a sensação de que o mesmo estava realmente lá. Chorei. Fiquei tão desgostosa… Como imaginar meu Bbzim ali dentro daquele buraco??? Ai como isso me doeu… Acho que nunca tinha sido tão difícil. Não depois do dia do enterro. Ia ao cemitério todos os domingos, mas essa sensação de que ele estava lá, naquele túmulo, nunca tinha me magoado tanto como aconteceu hoje.

Fico imaginando por que nós não achamos uma maneira de nos prepararmos emocionalmente para uma coisa tão certa na vida como é a morte. É estranho. A única certeza que temos sobre a vida, ser ao mesmo tempo aquela que nos causa mais dor... Uma dor que não há remédio nenhum que tire.

Espero pelo tempo ainda… 1 mês foi como 1 dia.

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4 mil pitacos!:

gilberd disse...

Beth, sua dor me comoveu profundamente porque, além de ver o amor e a expressão desse amor em suas palavras, sempre tão verdadeiras, sua dor - guardadas as devidas distinções - parece com a minha. Creio que voce lembra que eu perdi minha mãe e esse processo foi muito penoso e doloroso para mim. Da mesma forma foi forçoso aceitar uma verdade que meus sentimentos não queriam aceitar. É como lutar contra si mesmo - razão e emoção. Levei mais de mês tendo pesadelos consecutivos e outras coisinhas que não cabem aqui.
Sei que será mais difícil para voce do que foi para mim. Mas continuo torcendo por você, confiando em sua força.
Um grande abraço.
Gilberd

Beth Amorim disse...

Lembro sim, Gilberd, dessa época tão triste em sua vida... Acho até que deixei um comentário lá no seu blog me sensibilizando com sua dor também...

Aqui, é como eu falei... Parece que o tempo vai passando e eu vou a cada dia caindo na real. É como vc disse, e como eu tbm já falei aqui em outro texto: fica uma briga danada entre razão e emoção... É uma situação muito difícil. Um trauma muito doloroso... E a única coisa que podemos fazer, é esperar o tempo passar...

Obrigada pela força, viu?

Non Nattus Júnior disse...

Olá Beth.
Sua dor,tem nos demostrado a sua fortaleza.A sua forma de encará-la,sem faz de conta mas de forma dura mais real,nos revela a sua grandeza como ser humano

Beth Amorim disse...

Obrigada, amigo...

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