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20 junho 2010

Os Livros daquela Estante... (Final)

... Após a metade do livro, os amigos perceberam uma mudança em Epaminondas...

Na hora que eles iam discutir o que tinham lido durante a semana, Epaminondas começava a falar coisas que eles não compreendiam. Era como se ele estivesse falando sobre outro assunto. Havia algo errado...

E então pensaram: _O que será que está acontecendo com o  nosso amigo?



Na verdade, Epaminondas passou a misturar as coisas que estava lendo, ou seja, ele passou a trocar constantemente as informações entre os dois livros. Às vezes ele nem percebia  o que estava fazendo. [Esse era o motivo que o fazia ler um livro de cada vez...]

E quando se deram conta de que Epaminondas não estava em seu estado normal, os amigos o interrogaram para descobrir o que estava acontecendo. E Epaminondas, sincero como era, contou-lhes a verdade.






Disse-lhes que estava tentando ler os dois livros ao mesmo tempo, apesar de não gostar de fazer isso. Contou também que não conseguia deixar de ler o seu velho livro, por mais que aparecesse outro mais novo e aparentemente melhor. Ele confessou que gostou do presente e aceitou o desafio dos colegas porque não queria decepcioná-los, e além do mais, achou que daria conta. Após as explicações, Epaminondas pediu desculpas e saiu cabisbaixo.


Quando ele saiu, os amigos ficaram calados e entreolharam-se. Aos poucos foram percebendo o que tinham acabado de fazer. Envergonharam-se e perceberam que não tinham sido amigos de verdade. Afinal, na amizade vedadeira aceitamos o outro tal e qual ele é. E eles não tinham aceito Epaminondas... Quiseram mudá-lo. E ao se darem conta disso, caíram em si. Resolveram deixar Epaminondas em paz, vivendo como queria.

Depois de todos esses acontecimentos, Epaminondas enfim aprendeu que não adianta querer agradar os outros, sem antes pensar em agradar a si mesmo. Descobriu que conquistar a sua própria felicidade deveria ser o seu principal objetivo.  E foi desse modo que Epaminondas continuou fazendo sua leitura sossegado, sem importar-se com o que as outras pessoas estavam pensando sobre ele...


Fim


Por Beth Amorim


06 junho 2010

Os Livros daquela Estante... (Parte IV)




... Chegou o dia do aniversário de Epaminondas. Ele tinha muito amigos, e todos queriam dar-lhe uma festa, porém, ele não estava muito animado pra fazer qualquer tipo de comemoração...

Vendo que Epaminondas estava meio isolado do grupo, lendo a toda hora aquele velho livro, a turma do trabalho resolveu mudar aquela situação. No horário do almoço, resolveram ir à livraria e comprar o mais novo livro, do autor preferido de Epaminondas, já que eles sabiam que ele ainda não possuía. O livro tinha acabado de ser lançado. No entanto, cada amigo comprou um exemplar para si mesmo também. Eles tinham um plano...

A ideia que eles tiveram foi a seguinte: sabendo que Epaminondas era um devorador de livros e que aquele livro que compraram era do autor que ele mais gostava, pensaram em propor-lhe um desafio: todos começariam a ler o livro ao mesmo tempo, e quem terminasse primeiro teria direito à uma viagem em algum final de semana, que seria paga pelo grupo. Lógico que o objetivo era incentivar Epaminondas a largar aquela velharia, que eles tinham pavor de vê-lo com ele. Coitados. Eles não entendiam o significado daquele velho livro para Epaminondas...

Mas, do jeito que pensaram, fizeram. No mesmo dia, após o almoço, a turma chegou com um presente para o queridíssimo Epaminondas. Enfeitaram-no ao ponto dele não reconhecer o que havia dentro do pacote. Entregaram-lhe.



Epaminondas, muito emocionado, fez um pequeno discurso de agradecimento e começou a abrir a embalagem... Depois de rasgar vários papéis e caixas, ao som das gargalhadas dos amigos, Epaminondas finalmente viu o que estava no final. Quando ele olhou direitinho e percebeu o que tinha em suas mãos, quase não acreditou! Saiu abraçando todos, agradecendo tão importante presente. Era mais um para a imensa coleção que ele possuia daquele autor que ele tanto estimava.

E após os agradecimentos de Epaminondas, os amigos de uma só vez, mostraram seus livros a ele. Todos iguais. Ele não entendeu! E então, os amigos começaram a explicar o plano! Epaminondas ainda quis escapar, dizendo que não daria pra começar a ler aquele livro agora, porque estava numa parte muito interessante do velho livro do sebo, mas os amigos foram enfáticos! 

A pressão foi tanta, que ele acabou concordando. O problema é que ele não gostava de ler dois livros ao mesmo tempo, logo, teria que novamente guardar seu velho livro na estante... 

Além do mais, ele queria vencer aquele desafio, o que seria algo fácil, já que era daquele autor.

Todos concordaram que os livros deveriam ser deixados no escritório, e que só leriam durante o horário de almoço. 

E, a partir do que foi combinado, Epaminondas acabou tendo uma ideia: já que o livro ficaria no escritório, ele poderia muito bem, em casa, continuar a ler o interessantíssimo livro do sebo!

Mesmo não gostando de ler dois livros ao mesmo tempo, ele decidiu que iria tentar somente dessa vez. 

E assim ele fez...

Os dias se passaram. No início tudo ia dando certo, e ele estava conseguindo conciliar. No final do expediente, a turma toda reunia-se no bar do seu Manoel para debater o que cada um tinha lido e dizer em que página estavam. Os amigos de Epaminondas não sabiam que ele continuava a ler o outro livro, e por isso ficavam animados quando constatavam que ele era o mais avançado na leitura (como era de se esperar...).


Entretanto, após a metade do livro, os amigos perceberam uma mudança em Epaminondas...


[Continuação no Próximo Domingo!!! Hasta!]

Por Beth Amorim

30 maio 2010

Os Livros daquela Estante... (Parte III)

 E Epaminondas disse aos amigos:

_ Às vezes, nos deixamos levar pelas influências externas, ou seja, pela opinião dos outros, na tentativa de nos encaixarmos mais facilmente em alguns grupos. Sentimos prazer em receber elogios e reconhecimento por estarmos fazendo algo que a "sociedade" quer que façamos. E, lendo aquele livro, percebi que eu estava agradando "à sociedade", porém, não estava sendo sincero comigo mesmo. Não era uma leitura que me agradava. Em outras palavras, ele não me dava prazer e felicidade.... E, embora ele fosse um livro que, por fora, desse a impressão de oferecer muitas novidades, não foi isso que eu comprovei. E mesmo eu sabendo que, por carregá-lo de um lado a outro da cidade, eu estava conseguindo um certo "status social", isto é,  demostrando que eu estava seguindo um padrão que era a moda de hoje, eu não me sentia feliz por causa disso.

E os amigos, apesar de um pouco confusos com essa resposta, passaram a compreender Epaminondas. Ele estava certo, pensaram alguns. Já outros, imaginaram que ele estava mais louco do que nunca, porém deixaram-no para lá...



E Epaminondas seguiu contente, com o seu velho livro em punho, lendo sempre que necessitava ou lhe sobrava um tempinho.  Ele sentia-se feliz...

Até que...


[... Continua domingo, dia 06/06! Até lá!]

Por Beth Amorim

26 maio 2010

E você ainda está nessa vida, criatura?

Foi reprovada dois anos seguidos no Ensino Fundamental I. Foi nessa época que descobriu que tinha apenas dois neurônios. Enquanto ela usava um, mandava o outro para a lavanderia. Percebeu também por essa época, que jamais conseguiria atrair alguém por sua personalidade, até porque ela não sabia o que era isso, imagine ter uma!



Para completar o quadro, pintou o cabelo de amarelo aos 16 anos... Ela tinha que atrair a atenção de alguma forma. E já que pela inteligência sabia que era impossível, resolveu, enquanto poderia, mostrar seus atributos físicos. Matriculou-se na academia do subúrbio em que morava e passou a frequentar diariamente aquele local. Conseguiu amigos, pernas bonitas, cintura fina, barriga chapada (tá, nem tão chapada assim...). Ganhou até admiradores pelo belo corpo, porém, quando começava a falar...


Sim, mas o tempo passou e o corpo ela esculpiu. Tinha agora "uma arma" nas mãos. Conquistaria o homem que quisesse, assim ela pensava. Realmente, alguns babacas ficavam de  queixo caído quando ela passava rebolando de shortinho. Porém, quando ela começava a falar...

Tudo o que ela mais queria era um namorado bacana, que tivesse carro e dinheiro. Se fosse bonito, melhor ainda. E foi então que ela conheceu alguém e disse: _É esse! E num piscar de olhos, conseguiu atrair a presa. Foi como mágica.

Os dias se passaram... O namorado bacana adorava ter uma namorada bonitona, novinha, loirinha, e tudo mais. Porém, quando ela começava a falar....

Ele até hesitava em levá-la nos encontros com os amigos. Tinha medo que ela quisesse usar seu único neurônio justamente naquela hora. Além do mais usava vestes vulgares e chamativas [ela realmente gostava de aparecer]. E foi assim que ele percebeu que mulher é muito mais que coxa grossa, cintura fina e bunda grande. Aliás, ele percebeu que poderia achar alguém com tudo isso, mas vindo com inteligência, sabedoria e discrição no pacote. E então, ela o perdeu. Para sempre.

 

Ela não se conformou e disse: _Como alguém pode me dispensar assim, sem mais nem menos? Resolveu apelar. Fez um orkut e começou a postar suas fotos. Era bunda pra todo lado. O melhor de tudo eram as legendas. No entanto, não podemos deixar de falar das poses.  Era cada uma... Deitada na cama, com cara de "me coma", de costas mostrando a parte do corpo que mais a orgulhava [a bunda, claro!], enfim, toda uma sorte de insinuações. Tadinha. Mal sabia que dessa forma ela estava acabando com sua reputação (se é que ela ainda tinha uma). Quem a levaria a sério depois disso?

Bom, mesmo assim, ela não parou. E todos pensavam... Para que servirá tanta beleza? Somente para se expor no orkut numa foto com cara de "me coma"? As pessoas próximas ainda tentavam alertá-la dizendo que de nada adianta um livro ter somente "uma capa  bonita". Se ele não tiver conteúdo, nunca chegará a ser um best-seller.


Entretanto, ela não entendia o que as pessoas falavam (best-seller? o que é isso? seria um cachorro?). Simplesmente porque inteligência ela não tinha para compreender...
[Beth Amorim]

23 maio 2010

Os Livros daquela Estante... (Parte II)

E aqueles elogios foram 'virando' a cabeça de Epaminondas. Nesse momento, ele pouco lembrava-se de ler o livro que havia encontrado no sebo. Às vezes, passando perto de sua estante, ele o via, e até que dava vontande de voltar a lê-lo, porém preferia continuar com aquele lançamento nas mãos, procurando saber o por quê de ele ser tão elogiado e prestigiado.


E assim foi. Epaminondas tentou entrar de cabeça naquela leitura. Porém, aos poucos foi descobrindo que aquele livro era um tanto quanto sem graça, repetitivo e limitado, isto é, aquele livro não ampliava de forma alguma seus horizontes, suas ideias, e lendo-o, Epaminondas não notou muita coisa de especial. Era uma leitura rotineira, que trazia poucas novidades, pouca emoção. E embora as pessoas continuassem aprovando muito aquele livro, Epaminondas acabara de constatar que ele não tinha nada demais! Principalmente se ele fosse comparado com o antigo livro do sebo! Aquele sim! Era intenso, o deixava inquieto e até mesmo sem fôlego! E foi comparando que Epaminondas simplesmente pegou o seu livro novo, e o guardou em sua estante. Iria ser mais um na lista dos que ele não acabara de ler...



Quando diririgiu-se à sua estante para guardar o tal livro, deu de cara com o livro do sebo. Aquele mesmo que outrora ele havia deixado de lado. Pegou-o novamente e voltou a lê-lo, exatamente onde tinha parado. Sentiu novamente o gosto de uma leitura prazerosa e instigante. 


Ao chegar ao trabalho, comentou com os amigos sobre a nova troca. E os amigos ficaram pasmos! Como pode? Deixar um livro novinho e atual igual àquele na estante e voltar a ler aquele velho livro do sebo? Epaminondas estaria ficando louco? 

E então, Epaminondas começou a explicar...

[**Próximo domingo tem mais....!]


Por Beth Amorim

16 maio 2010

Os Livros daquela Estante.... (Parte I)



Epaminondas era um daqueles homens que adoram ler. Em sua casa havia uma estante enorme onde ele guardava todos os volumes que já tinha lido. Lá também estavam aqueles livros que ele havia relido, os que nunca tinha lido, e os que apenas começara ler e parara no meio do caminho, por esse ou aquele motivo...

Todos esses livros eram adquiridos de diversas formas: presentes de amigos, idas  à livraria (onde ele gostava de adquirir principalmente os mais novos), no sebo perto de sua casa, onde ele encontrava livros usados, porém muito procurados devido a sua raridade. E foi justamente em um dos sebos que frequentava, que ele encontrou um livro que há muito tempo procurava! Levou-o imediatamente para casa. Começou a ler e degustar aquela maravilhosa leitura... Como era um livro extenso e complexo, não dava para ler tudo de uma só vez. Porém, nas primeiras semanas, ele não desgrudava do tal livro e o levava para onde fosse... Os amigos não entendiam o que de tão especial havia naquele livro já usado e, digamos, "fora de moda". Os comentários que Epaminondas ouvia sobre esse estranho gosto, não o agradava de forma alguma, e isso talvez tenha motivado ele a distanciar-se um pouco do livro.

Certa vez, ao ir para o trabalho, tendo esquecido por uns dias o bendito livro em casa, Epaminondas deu de cara com um lançamento na sua livraria preferida. Entrou pra ver que livro era aquele que todos estavam falando e elogiando. Conheceu seu autor, e como por um impulso, apaixonou-se por aquela bela capa, e pelos inúmeros elogios que o livro recebia. Resolveu levá-lo. 

Tamanha era sua curiosidade em saber o que estava ali escrito, que começou a lê-lo imediatamente. Quanto ao já usado livro do sebo que estava lendo, guardou-o em sua estante, como quem despreza um velho 'brinquedo'. Agora, dedicaria-se apenas àquele sucesso que estava em suas mãos! Era revigorante para sua autoestima sair com ele nas ruas, e ouvir as pessoas comentando sobre seu bom gosto! Epaminondas gostava muito disso...



**Volte no próximo domingo e veja a continuação dessa história...

Por Beth Amorim

14 maio 2010

Pensamentos no Travesseiro

Passava das 23 horas de ontem... 

Eu já estava deitada em minha cama, pronta para dormir... Cabeça no travesseiro... Pensamentos chegando aleatoriamente. De repente, "quase" como acontece todos os dias, me veio uma história na cabeça. E como um novelo desamarrado, que ao cair no chão, se desenrola, essa história começou a tomar forma em minha cabeça. Aos poucos, fui dando nome ao personagem, traçando suas características, construindo-o em minha mente. 

Não me aguentei. O computador ainda estava ligado, então corri para o blog. Tinha que escrever aquilo tudo em algum lugar antes de dormir. Se eu não o fizesse, correria o risco de esquecer.... Então, foi assim que saiu a primeira parte dessa história.

Decidi que iria contá-la aos poucos, ou seja, as partes seriam publicadas em um dia específico da semana: Domingo. Sempre nas manhãs de domingo. 

Sendo assim, a primeira parte sairá nesse domingo, dia 16 de maio de 2010. As outras virão nos domingos vindouros....

A quem interessar, boa leitura!           

Por Beth Amorim.

15 março 2010

Passos Bem Dados


Há um ano atrás, ela estava sentindo-se numa encruzilhada. Não sabia que caminho seguir. Coração mandava ir por ali, razão mandava ir por acolá. Estava perdida. Foram 15 dias de indecisão, de confrontos, de encontros, desencontros e de inércia. Nada andava. Só o tempo passava. Chegada a hora da decisão, coração e razão deram as mãos. Tiveram que optar. Meio que no escuro, guiada apenas por fraca luz de lanterna, ela seguiu. Aos poucos, outras luzes foram aparecendo, e passado algum tempo da caminhada, finalmente, todas elas acenderam-se, cada uma ao seu tempo.... No entanto, como a caminhada era longa, vez ou outra, um fio de luz ainda se apagava, mas logo, o conserto viria, assim ela pensava.


E hoje, apesar de alguns momentos meio sombrios nessa caminhada, que permance longa, ela sabe que fez a escolha certa naquele momento. Veio pela via mais segura, mais tranquila, mais confortável, embora, essa mesma via fosse, talvez, a mais longa, e que exigisse, portanto, mais esforço. Antes, ela já havia passado por esse mesmo caminho... Passou por muitos trechos quase intransitáveis. Teve que pular, correr, quase parar em diversas vezes. Por isso o temor de seguir por ali novamente... No entanto, tendo caminhado um pouco mais, encontrou um trecho da 'estrada' que parecia mais seguro...

Não é frequente, mas ainda aparecem umas pedrinhas que furam os pés descalços.... Entretanto, basta apenas saber como jogá-las para o lado! Nada difícil...

«Diz o Mestre:


A encruzilhada é um lugar sagrado. Ali, o peregrino tem de tomar uma decisão. Por isso, os deuses costumam dormir e comer nas encruzilhadas. Onde as estradas se cruzam, concentram-se duas grandes energias- o caminho que será escolhido e o caminho que será abandonado. Ambos se transformam num caminho só- mas apenas por um pequeno período de tempo. O peregrino pode descansar, dormir um pouco, até mesmo consultar os deuses que habitam as encruzilhadas. Mas ninguém pode ficar ali sempre: uma vez feita a escolha, é preciso seguir em frente, sem pensar no caminho que deixou de percorrer. Ou a encruzilhada transforma-se em maldição.»



Paulo Coelho in Maktub





...Os nossos caminhos estão cruzados, são por enquanto um só.

Terei que optar, ponderar, fazer a minha escolha que acredito  já estar traçada no

meu destino. Aceito-a, seja ela qual for porque sei que será a que terei que viver...

Mas enquanto não me é revelada, vivo este momento com plena entrega atenta aos sinais...

 
Bt. Am.

26 dezembro 2009

uM nOVo JaRdiM

Naquela casa havia um jardim... Um belo Jardim. No entanto, devido às intempéries climáticas, houve uma época em que ele não floriu. Todas as roseiras murcharam. O jardim ficou feio e sem vida. O jardineiro preocupou-se, pois nunca tinha visto seu jardim daquele jeito... Entristeceu-se. Porém, com o passar dos dias, o clima foi voltando ao normal. O sol reapareceu na medida certa, e as chuvas cessaram mais. O jardineiro alegrou-se pois poderia retomar suas atividades com sossego! E a partir daí, ele foi aos poucos plantando novas roseiras e flores de diversos tipos também. O jardim estava ficando belo novamente.


Um dia, sem que ele esperasse, surgiu uma linda roseira num determinado lugar do jardim. Aquele era um lugar especial. Nele já havia nascido roseiras muito belas outras vezes. Porém, nenhuma era igual aquela que havia nascido tão recentemente. Ele encantou-se com a beleza e a simplicidade da planta... Passou a cuidar dela com um carinho mais que especial. Entretanto, a natureza tem suas surpresas... E inimigos naturais passaram a perseguir aquelas lindas rosas. Para combatê-los, o jovem jardineiro consultou seu livrinho de jardinagem e lá estava escrito:

A beleza das rosas tem pelo menos dois inimigos certos: insetos e fungos. Para enfrentá-los, é preciso observar certos detalhes:
* Observe sempre as roseiras:
Fazendo inspeções periódicas, é possível identificar qualquer problema ainda no início e tratar logo de combatê-lo;
* Previna-se: Remediar é bem mais difícil. Fazendo aplicações periódicas de produtos preventivos (contra fungos, principalmente), os riscos dos ataques serem mais severos ficam reduzidos;
* Garanta sempre uma boa alimentação:
A nutrição é fator fundamental para o bom desenvolvimento das roseiras e sua saúde. Uma fertilização orgânica, feita periodicamente, fornece à planta boas quantidade de macro e micronutrientes, tornando-as mais resistentes aos ataques de insetos e doenças.

* Mantenha o "exército natural" de defesa:
A natureza é sábia e, juntamente com as pragas, criou também seus inimigos. As joaninhas são excelentes predadoras dos pulgões, os pássaros combatem as lagartas, hortelã plantada nos canteiros espanta as formigas...

E o jardineiro fez tudo como mandava o livro. Começou a combater as pragas. E uma após a outra ele conseguiu acabar com elas. A roseira continuou com seu esplendor e beleza.
E foi assim que alguns dias depois, surgiu uma borboleta que teimava em pousar naquelas rosas. O jardineiro, no início espantava, porém, ele reparou que essa borboleta também tinha uma rara beleza. E ficou observando-a todos os dias... Ela chegava como num passe de mágica, pousava sobre as rosas, permanecia um certo tempo e depois seguia seu caminho... Ele gostava de sua presença... No entanto, ele percebeu que a linda borboleta estava deixando sua roseira feia... Porque no momento que ela chegava, ofuscava a beleza das rosas.
Um dia, ele esperou a borboleta vir visitar sua roseira predileta, e quando ela chegou, ele começou a conversar com ela, como se a mesma fosse entender o que ele estava querendo falar-lhe.... Disse que ficava muito feliz com sua presença; Que ela o encantava e que possuia uma rara beleza que o deixava estarrecido! Porém, a estima que tinha por aquela roseira era muito grande. Um carinho enorme. Então, com muita tristeza pediu a borboleta que parasse de vir visitar sua roseirinha, pois ela estava acabando com a beleza das rosas... E depois de dizer isso, o jardineiro saiu.
Como se realmente tivesse entendido, depois daquele dia, a borboleta nunca mais posou nas 'rosas prediletas'. Ela ainda visitou o jardim outras vezes, mas nunca com o mesmo encanto. Até que um dia ela simplesmente sumiu... E nunca mais voltou.
Enquanto isso, roseira, cada vez mais bem cuidada pelo jardineiro, floreceu muitas e muitas outras vezes. . .

- Beth Amorim -

26 outubro 2009

O Sugador de Histórias


Numa cidadezinha do interior, havia um senhor muito bondoso que adorava ouvir histórias. Todo tipo de histórias... Mas, as preferidas dele, eram as histórias de vida. Aquelas histórias que as pessoas guardam e só contam a pessoas de muita confiança... E, ao que se sabe, ele tinha algo que inspirava confiança nas pessoas...
Não se sabe se as pessoas tinham conhecimento sobre esse seu gosto, mas ele sempre surpreendia-se com pessoas que ele mal conhecia, contando-lhes suas histórias mais secretas. Ele ficava boquiaberto, só ouvindo...
Desse modo, ele ficava sabendo de muitos segredos, e muitas coisas lhes eram reveladas. Ele não entendia o porquê, pois nunca perguntava nada... Simplesmente tratava bem as pessoas, e de uma simples conversa, às vezes surgiam essas histórias... Era como se fosse algo mágico: ele conseguia em minutos fazer com que as pessoas sentissem uma confiança tão grande nele, que acabavam contando suas angústias, medos, aflições e segredos.

Esse senhor, passou a ser conhecido na cidade como "O sugador de histórias"... Mas ele não fazia isso premeditadamente. Acontecia de forma natural. E mais, ele não não tinha má intenção. É tanto que ele nunca contava aos outros o que tinham lhe contado.
..
E assim, esse senhor seguia sua vida, ouvindo, aprendendo e sorrindo...



Por Beth Amorim









12 novembro 2008

Do Fundo do Baú... (Final)

Enfim chegou o dia.... O dia em que Franco ia dar um basta naquela situação. Porém, infelizmente, todas as formas de pensar racionalmente lhe foram tiradas... Nos dias, imediatamente antes do dia planejado, ele deixou-se, mais do que nunca, levar-se pelos encantos de Carlota...
Ele estava perdido!! Fraquejou diante das circunstâncias que o cercava. Mas, naquela situação, só quem não tivesse sentimento algum pela outra pessoa, poderia agir de uma forma completamente racional. Não era o caso de Franco. O que ele estava vivendo com sua amada, jamais tinha vivido com outra pessoa, nem mesmo com a própria Carlota, antes de tudo acontecer... Ele sentiu, naquele momento, que o sentimneto era maior dos que os fatos... Não conseguiu dizer uma só palavra do que precisava dizer a Carlota. Entregou seu coração novamente a ela, embora ainda não se sentisse totalmente seguro para fazer tal coisa.
O que mais inquietava Franco, era saber que ele teve tudo nas suas mãos. Que ele poderia dar o "troco" na mesma moeda. Que ele poderia ter feito Carlota passar por tudo o que ele tinha passado por causa dela.... Mas ele não o fez... E por que não? Simplesmente porque Franco descobriu que ama Carlota... Embora esteja consciente que:
  • talvez não seja correspondido da mesma forma;
  • não possa confiar muito no que ela lhe diz;
  • ela não te passe a segurança que ele deseja;
  • ela tome atitudes que lhe despertam desconfiança;

Então, mesmo apesar disso tudo, Franco resolveu continuar com Carlota. Desistiu do que ia fazer...

Ato de fraqueza ou de coragem? O tempo dirá se ele tomou a decisão correta...

Fim....

Beth Amorim

07 novembro 2008

Voltando a Franco e Carlota... Do fundo do Baú (Parte III)

Todos os dias Franco pensava na sua decisão, isto é, pensava no que tinha planejado pra se vingar de Carlota...
Porém, a cada dia, tomar essa decisão, ficava mais difícil... Ele sabia que gostava dela. E gostava muito. Como ser tão desumano ao ponto de fazer o que estava pensando? Ele se igualaria a ela, em outros tempos? A dúvida ficava maior com o passar do tempo...
No entanto, o dia planejado estava chegando... Ele realmente estava confuso. Não queria mais fazer o que estava pensando. Mas, sabia que precisava fazer... Até porque, durante esse tempo que passou sem Carlota, ele conheceu alguém legal. Alguém que merecia seu amor... Dividido. Assim estava o pobre Franco.
E, quanto mais pensava, menos sabia o que fazer... Os dias correm... Precisava decidir logo. O mais breve possível!!! De onde ele ia tirar forças? Ele pensava em todos os momentos bons que tinha passado (e ainda estava passando) com aquela 'desalmada'. Recordava-se de tudo. E nesse tudo, infelizmente, tambem vinham os momentos ruins. Era nesses momentos que ele precisava agarrar-se. Era nisso, que causou-lhe tanto mal, que ele precisava pensar para poder tomar essa decisão. Mas não era fácil. O amor que sentia por Carlota, muitas vezes falava mais alto!
E assim, o indeciso Franco seguia seus dias...
Um novo dia começa. Será nesse dia??
Beth Amorim...

04 novembro 2008

Do fuNdo dO Baú (Parte II)

...Carlota ficou feliz da vida. Fez planos, entregou-se novamente ao amor de Franco... Mal sabia ela, o que a esperava....
Ele tinha algo em mente. Ele gostava dela sim, mas não tinha esquecido da humilhação e do sofrimento que passsara... Resolveu arquitetar um plano. Entrou no jogo de Carlota. Fez planos com ela, viajaram juntos, e até um bebê, já estavam planejando. Carlota não acreditava. Parecia que o sonho, que vivera com Franco, no início da relação deles, tinha voltado. E tudo parecia melhor e mais sólido a cada dia que passava. Ela sentia que tinha reconqusitado seu grande amor...
Franco, cada vez mais, fazia sua esposa acreditar que tudo ia bem. Mas, como sabemos, por dentro, era ele quem não estava nada bem... Ainda havia rancor em seu peito. Porém, ao mesmo tempo, sentia um grande apreço por aquela mulher... Como fazer com ela, o que estava planejando? Será que ele iria conseguir deixar o sentimento de lado, e pensar só no mal que ela o fizera?
Isso tudo tinha um objetivo. E Franco sabia exatamente qual era... Entretanto, a cada dia que passava, ficava mais difícil de concretizá-lo, pois Carlota o surpreendia sempre com declarações e com um carinho enorme, carinho e amor que ele jamais vira ou sentira da parte dela. O que fazer então? Abandonar seu plano? Deixar o rancor para trás? Entregar-se novamente ao amor? Claro que tudo isso passava por sua cabeça! Afinal, além de humano, ele ainda gostava dela.
No entanto, também passava por sua cabeça a seguinte dúvida: será que posso confiar nela depois de tudo isso? E se ela fizer tudo de novo? A confiança dele estava abalada... Ele esperava alguns indícios de que ela iria traí-lo novamente... E, assim, como Bentinho, de Dom Casmurro, ele vivia desconfiado.... Esperava um deslize de Carlota. Um telefonema ou algo que comprovasse que ele tinha razão.... E Carlota acabou dando esses indícios sem perceber....
(Parte III, só depois... Bateu soninho... Desculpa, eh que só tenho tempo de escrever à noite...rs...rs..rs...)
Beth Amorim....

03 novembro 2008

Do fuNdo dO Baú (Parte I)

No dia em que ela viu Franco* pela primeira vez, ele pareceu-lhe misterioso, mas ao mesmo tempo alguém em que ela podia confiar... Os olhares, de uma forma estranha, logo se cruzaram e a atração foi mútua... Não demorou muito e eles já estavam entrosados..
O tempo passou, e cada vez mais eles se entendiam. Aquele olhar misterioso de Franco, logo transformou-se em um olhar apaixonado, meigo e doce... O que era apenas uma atração, logo virou amor... Não demorou muito e eles resolveram celebrar essa união da forma mais convencional possível: Um Casamento! Agora eles podiam ficar mais tempo perto um do outro...
Mas, Carlota*, após alguns anos de casamento, fez o que nem todas as mulheres fazem (ou pelo menos, a maioria não...). Ela, numa típica ilusão feminina, encantou-se por alguém. Deixou-se seduzir... Uma rapaz bonito. Um rapaz que a fez cometer o pior de seus erros: trair seu esposo. Sim, ela traiu Franco. E o pior, ele descobriu. Não era justo. Logo na véspera do seu aniversário de casamento, ele soube de tão trágica notícia. Ele não se confromou... Uma traição dessas dói muito.
Mas, Carlota parece que estava enfeitiçada pelo seu próprio ego. Deixou Franco pelo belo rapaz... Foi duro para Franco agüentar essa situação. Porém, ele foi forte. Não deixou-se abater (aparentemente) e continuou sua vida. No entanto, ele sabia que na verdade, era só uma fase. Carlota o amava, e iria voltar... Daí ele passou a cantar sempre uma música:
"Destá...
Eu hei de ver você bater em minha porta,
Destá...
É sempre assim, quem ri por último rir melhor"

Carlota não sabia o quanto ela tinha abalado Franco com tudo isso. Aliás, ela sabia sim... Mas quando fez isso, ela só pensou em si mesma. Bom, o tempo passa... Sempre o tempo...
O rapaz bonito, logo perdeu a graça. Carlota arrependeu-se. Viu que Franco era o único homem que o compreendia. Mas Franco já tinha conhecido outras moças... Na verdade, agora, ele tinha um leque de opções. Poderia escolher quem quisesse. Não precisava mais de Carlota para nada. E aliás, por que voltar para alguém que o tinha feito sofrer tanto?? Porém, Franco não tinha o coração de pedra. Mas tinha a cabeça dura. Resolveu fazer um "teatro", parte de sua vingança contra seu amor. Espera aí! Amor?? Vingança?? O que se passava na cabeça de Franco?
Por incrível que pareça, Franco não tinha deixado de amar Carlota. E quando ela "bateu em sua porta" novamente, ele a aceitou. Tratou-a como sempre. Beijou-a... Declarou-se a sua amada, e deixou claro sua felicidade em tê-la de volta...

(continua amanhã..agora estou com sono....já passa da meia-noite... preciso trabalhar amanhã!!!)

*Nomes fictícios.
Beth Amorim...

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