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20 junho 2010

Os Livros daquela Estante... (Final)

... Após a metade do livro, os amigos perceberam uma mudança em Epaminondas...

Na hora que eles iam discutir o que tinham lido durante a semana, Epaminondas começava a falar coisas que eles não compreendiam. Era como se ele estivesse falando sobre outro assunto. Havia algo errado...

E então pensaram: _O que será que está acontecendo com o  nosso amigo?



Na verdade, Epaminondas passou a misturar as coisas que estava lendo, ou seja, ele passou a trocar constantemente as informações entre os dois livros. Às vezes ele nem percebia  o que estava fazendo. [Esse era o motivo que o fazia ler um livro de cada vez...]

E quando se deram conta de que Epaminondas não estava em seu estado normal, os amigos o interrogaram para descobrir o que estava acontecendo. E Epaminondas, sincero como era, contou-lhes a verdade.






Disse-lhes que estava tentando ler os dois livros ao mesmo tempo, apesar de não gostar de fazer isso. Contou também que não conseguia deixar de ler o seu velho livro, por mais que aparecesse outro mais novo e aparentemente melhor. Ele confessou que gostou do presente e aceitou o desafio dos colegas porque não queria decepcioná-los, e além do mais, achou que daria conta. Após as explicações, Epaminondas pediu desculpas e saiu cabisbaixo.


Quando ele saiu, os amigos ficaram calados e entreolharam-se. Aos poucos foram percebendo o que tinham acabado de fazer. Envergonharam-se e perceberam que não tinham sido amigos de verdade. Afinal, na amizade vedadeira aceitamos o outro tal e qual ele é. E eles não tinham aceito Epaminondas... Quiseram mudá-lo. E ao se darem conta disso, caíram em si. Resolveram deixar Epaminondas em paz, vivendo como queria.

Depois de todos esses acontecimentos, Epaminondas enfim aprendeu que não adianta querer agradar os outros, sem antes pensar em agradar a si mesmo. Descobriu que conquistar a sua própria felicidade deveria ser o seu principal objetivo.  E foi desse modo que Epaminondas continuou fazendo sua leitura sossegado, sem importar-se com o que as outras pessoas estavam pensando sobre ele...


Fim


Por Beth Amorim


06 junho 2010

Os Livros daquela Estante... (Parte IV)




... Chegou o dia do aniversário de Epaminondas. Ele tinha muito amigos, e todos queriam dar-lhe uma festa, porém, ele não estava muito animado pra fazer qualquer tipo de comemoração...

Vendo que Epaminondas estava meio isolado do grupo, lendo a toda hora aquele velho livro, a turma do trabalho resolveu mudar aquela situação. No horário do almoço, resolveram ir à livraria e comprar o mais novo livro, do autor preferido de Epaminondas, já que eles sabiam que ele ainda não possuía. O livro tinha acabado de ser lançado. No entanto, cada amigo comprou um exemplar para si mesmo também. Eles tinham um plano...

A ideia que eles tiveram foi a seguinte: sabendo que Epaminondas era um devorador de livros e que aquele livro que compraram era do autor que ele mais gostava, pensaram em propor-lhe um desafio: todos começariam a ler o livro ao mesmo tempo, e quem terminasse primeiro teria direito à uma viagem em algum final de semana, que seria paga pelo grupo. Lógico que o objetivo era incentivar Epaminondas a largar aquela velharia, que eles tinham pavor de vê-lo com ele. Coitados. Eles não entendiam o significado daquele velho livro para Epaminondas...

Mas, do jeito que pensaram, fizeram. No mesmo dia, após o almoço, a turma chegou com um presente para o queridíssimo Epaminondas. Enfeitaram-no ao ponto dele não reconhecer o que havia dentro do pacote. Entregaram-lhe.



Epaminondas, muito emocionado, fez um pequeno discurso de agradecimento e começou a abrir a embalagem... Depois de rasgar vários papéis e caixas, ao som das gargalhadas dos amigos, Epaminondas finalmente viu o que estava no final. Quando ele olhou direitinho e percebeu o que tinha em suas mãos, quase não acreditou! Saiu abraçando todos, agradecendo tão importante presente. Era mais um para a imensa coleção que ele possuia daquele autor que ele tanto estimava.

E após os agradecimentos de Epaminondas, os amigos de uma só vez, mostraram seus livros a ele. Todos iguais. Ele não entendeu! E então, os amigos começaram a explicar o plano! Epaminondas ainda quis escapar, dizendo que não daria pra começar a ler aquele livro agora, porque estava numa parte muito interessante do velho livro do sebo, mas os amigos foram enfáticos! 

A pressão foi tanta, que ele acabou concordando. O problema é que ele não gostava de ler dois livros ao mesmo tempo, logo, teria que novamente guardar seu velho livro na estante... 

Além do mais, ele queria vencer aquele desafio, o que seria algo fácil, já que era daquele autor.

Todos concordaram que os livros deveriam ser deixados no escritório, e que só leriam durante o horário de almoço. 

E, a partir do que foi combinado, Epaminondas acabou tendo uma ideia: já que o livro ficaria no escritório, ele poderia muito bem, em casa, continuar a ler o interessantíssimo livro do sebo!

Mesmo não gostando de ler dois livros ao mesmo tempo, ele decidiu que iria tentar somente dessa vez. 

E assim ele fez...

Os dias se passaram. No início tudo ia dando certo, e ele estava conseguindo conciliar. No final do expediente, a turma toda reunia-se no bar do seu Manoel para debater o que cada um tinha lido e dizer em que página estavam. Os amigos de Epaminondas não sabiam que ele continuava a ler o outro livro, e por isso ficavam animados quando constatavam que ele era o mais avançado na leitura (como era de se esperar...).


Entretanto, após a metade do livro, os amigos perceberam uma mudança em Epaminondas...


[Continuação no Próximo Domingo!!! Hasta!]

Por Beth Amorim

30 maio 2010

Os Livros daquela Estante... (Parte III)

 E Epaminondas disse aos amigos:

_ Às vezes, nos deixamos levar pelas influências externas, ou seja, pela opinião dos outros, na tentativa de nos encaixarmos mais facilmente em alguns grupos. Sentimos prazer em receber elogios e reconhecimento por estarmos fazendo algo que a "sociedade" quer que façamos. E, lendo aquele livro, percebi que eu estava agradando "à sociedade", porém, não estava sendo sincero comigo mesmo. Não era uma leitura que me agradava. Em outras palavras, ele não me dava prazer e felicidade.... E, embora ele fosse um livro que, por fora, desse a impressão de oferecer muitas novidades, não foi isso que eu comprovei. E mesmo eu sabendo que, por carregá-lo de um lado a outro da cidade, eu estava conseguindo um certo "status social", isto é,  demostrando que eu estava seguindo um padrão que era a moda de hoje, eu não me sentia feliz por causa disso.

E os amigos, apesar de um pouco confusos com essa resposta, passaram a compreender Epaminondas. Ele estava certo, pensaram alguns. Já outros, imaginaram que ele estava mais louco do que nunca, porém deixaram-no para lá...



E Epaminondas seguiu contente, com o seu velho livro em punho, lendo sempre que necessitava ou lhe sobrava um tempinho.  Ele sentia-se feliz...

Até que...


[... Continua domingo, dia 06/06! Até lá!]

Por Beth Amorim

23 maio 2010

Os Livros daquela Estante... (Parte II)

E aqueles elogios foram 'virando' a cabeça de Epaminondas. Nesse momento, ele pouco lembrava-se de ler o livro que havia encontrado no sebo. Às vezes, passando perto de sua estante, ele o via, e até que dava vontande de voltar a lê-lo, porém preferia continuar com aquele lançamento nas mãos, procurando saber o por quê de ele ser tão elogiado e prestigiado.


E assim foi. Epaminondas tentou entrar de cabeça naquela leitura. Porém, aos poucos foi descobrindo que aquele livro era um tanto quanto sem graça, repetitivo e limitado, isto é, aquele livro não ampliava de forma alguma seus horizontes, suas ideias, e lendo-o, Epaminondas não notou muita coisa de especial. Era uma leitura rotineira, que trazia poucas novidades, pouca emoção. E embora as pessoas continuassem aprovando muito aquele livro, Epaminondas acabara de constatar que ele não tinha nada demais! Principalmente se ele fosse comparado com o antigo livro do sebo! Aquele sim! Era intenso, o deixava inquieto e até mesmo sem fôlego! E foi comparando que Epaminondas simplesmente pegou o seu livro novo, e o guardou em sua estante. Iria ser mais um na lista dos que ele não acabara de ler...



Quando diririgiu-se à sua estante para guardar o tal livro, deu de cara com o livro do sebo. Aquele mesmo que outrora ele havia deixado de lado. Pegou-o novamente e voltou a lê-lo, exatamente onde tinha parado. Sentiu novamente o gosto de uma leitura prazerosa e instigante. 


Ao chegar ao trabalho, comentou com os amigos sobre a nova troca. E os amigos ficaram pasmos! Como pode? Deixar um livro novinho e atual igual àquele na estante e voltar a ler aquele velho livro do sebo? Epaminondas estaria ficando louco? 

E então, Epaminondas começou a explicar...

[**Próximo domingo tem mais....!]


Por Beth Amorim

22 maio 2010

Não Percam!!!

Amanhã sai a segunda parte do conto "Os Livros daquela Estante..." aqui no Tempestade de Ideias!

Não Percam!!!

Por Beth Amorim.

16 maio 2010

Os Livros daquela Estante.... (Parte I)



Epaminondas era um daqueles homens que adoram ler. Em sua casa havia uma estante enorme onde ele guardava todos os volumes que já tinha lido. Lá também estavam aqueles livros que ele havia relido, os que nunca tinha lido, e os que apenas começara ler e parara no meio do caminho, por esse ou aquele motivo...

Todos esses livros eram adquiridos de diversas formas: presentes de amigos, idas  à livraria (onde ele gostava de adquirir principalmente os mais novos), no sebo perto de sua casa, onde ele encontrava livros usados, porém muito procurados devido a sua raridade. E foi justamente em um dos sebos que frequentava, que ele encontrou um livro que há muito tempo procurava! Levou-o imediatamente para casa. Começou a ler e degustar aquela maravilhosa leitura... Como era um livro extenso e complexo, não dava para ler tudo de uma só vez. Porém, nas primeiras semanas, ele não desgrudava do tal livro e o levava para onde fosse... Os amigos não entendiam o que de tão especial havia naquele livro já usado e, digamos, "fora de moda". Os comentários que Epaminondas ouvia sobre esse estranho gosto, não o agradava de forma alguma, e isso talvez tenha motivado ele a distanciar-se um pouco do livro.

Certa vez, ao ir para o trabalho, tendo esquecido por uns dias o bendito livro em casa, Epaminondas deu de cara com um lançamento na sua livraria preferida. Entrou pra ver que livro era aquele que todos estavam falando e elogiando. Conheceu seu autor, e como por um impulso, apaixonou-se por aquela bela capa, e pelos inúmeros elogios que o livro recebia. Resolveu levá-lo. 

Tamanha era sua curiosidade em saber o que estava ali escrito, que começou a lê-lo imediatamente. Quanto ao já usado livro do sebo que estava lendo, guardou-o em sua estante, como quem despreza um velho 'brinquedo'. Agora, dedicaria-se apenas àquele sucesso que estava em suas mãos! Era revigorante para sua autoestima sair com ele nas ruas, e ouvir as pessoas comentando sobre seu bom gosto! Epaminondas gostava muito disso...



**Volte no próximo domingo e veja a continuação dessa história...

Por Beth Amorim

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