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02 abril 2011

E tudo me faz lembrar de você cada instante...


É tipo assim... 

Na maior parte do dia, acho que nada aconteceu... Lembro dele, falo normalmente sobre tudo, resolvo minhas coisas, vou trabalhar... Nesses momentos, quem olha para mim, acredita piamente que já estou bem. No entanto, de forma súbita, me vêm todas as lembranças da tragédia. Num primeiro momento, nego que tudo tenha sido verdade. Repito pra mim mesma: "Não, não pode ser..."

Vejo as nossas fotos mais recentes, e tudo parece, cada vez mais, uma grande mentira. Penso que ele ainda está viajando e que vai chegar a qualquer minuto para eu poder contar-lhe todas essas coisas absurdas que imaginei ter acontecido... Penso em falar-lhe sobre esse sonho louco que estou vivendo há 12 dias... 

No entanto, se aprofundo mais um pouco o pensamento, uma dolorosa dose de realidade recai sobre mim. O peito aperta e as lágrimas não demoram a cair... Choro copiosamente por alguns minutos... Um choro que exprime uma das piores dores que um ser humano pode sentir. Geralmente, estou sozinha nessa hora... As imagens ficam repetindo-se como num filme... Não quero acreditar naquele "nunca mais"... Dói demais. 

... E assim, de altos e baixos estou vivendo. Agora mais do que nunca... Dia após dia, vou tentando assimilar e organizar tudo na cabeça. As pessoas me entretem. Já o silêncio e a solidão me remetem àquela dor... Por isso procuro ficar sempre perto de alguém.... conversar... me distrair. Um minuto sem ter em que pensar, ou com quem conversar, já é o suficiente pra que as lembranças voltem. Tanto as boas, quanto as ruins... E elas são tantas... Todas misturadas... Todas confusas... 









10 mil pitacos!:

Helder Macedo disse...

Minha cara... minha pequena... minha aluna... minha amiga...

Tão difícil é falar das coisas do coração quando as envolvemos com questões cruciais da existência como vida e morte, não é? Sinto sua dor. E mais: o peso da dor que é a distância que não se explica em palavras e que, uma hora ou outra, irá nos acometer... Que podemos fazer senão se lembrar das coisas boas, dos momentos juntos, das benesses conquistadas, do respeito e da paixão mútua? É difícil, eu reconheço... Porém, quero que saiba que comigo poderás contar sempre que for preciso um entretenimento - qualquer que for - desde que você fique bem e esteja feliz! Você é, das alunas que tive, além de excelência acadêmica, uma daquelas de que sempre me lembrarei - e lembro, como agora, quando compartilho contigo essa dor.

Deus lhe conserve e lhe abençoe com paz!

Helder

Beth Amorim disse...

Ai, Hélder... Meu eterno professor e amigo que admiro tanto... Agradeço o seu carinho...

Tá sendo muito difícil aceitar a realidade mesmo... Tento lembrar sim das coisas boas... Mas como eu disse, o que aconteceu de pior também vem junto... Fica tudo misturado na minha cabeça...

Tá uma loucura "aqui dentro"... Sei que um dia tudo vai ficar mais brando... Porém, tenho consciência que talvez esse dia demore.

Um abraço grande pra ti.

Anônimo disse...

Olá Beth... Não nos conhecemos, mas sigo sua história de longe...vejo seus comentários e sinto sua dor...Q Deus em sua infinita bondade possa te confortar aos poucos (apesar de saber q vc é ateia e não acredita em Deus), acredite numa "força estranha", e que um dia vc se recorde apenas das boas lembranças...
Conheci sua história atraves do blog´s da internet q anunciaram a tragédia e desde então, olho seu blog todos os dias e vejo suas poesia... Moro em Messias Targino -RN e me chamo Sinara. Continue a escrever e tenha certeza q existe alguém q sempre estará ao seu lado...

Beth Amorim disse...

Oi, Sinara...

Fico muito agradecida pelo apoio que vc me dá, mesmo sem me conhecer... Como eu disse, as palavras dos amigos me fazem bem... me confortam... me acalmam...

Compartilho minha dor aqui no blog, pq nos momentos de angúsita e tristeza, escrever o que tô sentindo me alivia um pouco. Por isso escrevo. É como se eu estivesse tentando dividir tudo isso que tô sentindo nesse momento.

Porém, nunca pensei que as pessoas fossem ficar tão solidárias para comigo. Está sendo muito benéfico para mim o carinho que está vindo das pessoas que visitam o blog... Pessoas que muitas vezes nem me conhecem, mas ficam solidárias e aceitam dividir essa dor comigo...

Muito obrigada mesmo. E volte sempre que quiser...

Neila disse...

Oi, Beth...
Ontem quando te encontrei vi uma certa serenidade no seu rosto, e no abraço que te dei, tentei passar boas vibrações, para que vc se recupere desse baque o quanto antes. Mas não posso negar que, depois do nosso (rapidíssimo) encontro, logo que me afastei, não consegui conter algumas (teimosas) lágrimas. Tudo que aconteceu, tudo que vc tem escrito... Tudo veio à minha mente num segundo e, durante todo o dia, foram vários os momentos que me peguei pensando na sua dor. Mas, além da serenidade, senti também em vc uma força, Beth! Impressionante!
Como eu te disse, vc vai ficar bem, e eu espero que isso não demore muito. Um bj.

Goliardos disse...

A subjetividade dos sentiwentos humanos em muitos casos parecem ser universais ou pelo menos parecem ser.

Essa parte escrita externa bem isso:

"o silêncio e a solidão me remetem àquela dor... Por isso procuro ficar sempre perto de alguém.... conversar... me distrair."

Abraços.

Anônimo disse...

Olá Beth! Assim como outras pessoas estou a visitar seu blog constantemente. Imagino a dor que tu sentes. Alias, só você para explicar tamanha agonia e ausência do seu grande amor. Eu passei pelo local onde aconteceu a tragédia do dia 22.03 quase que exatamente no horário onde tudo infelizmente aconteceu. Era uma agonia imensa pois todos queriam fazer algo num momento onde ninguem podia fazer mais nada. Quando cheguei em casa (em Caicó mesmo)ouvi o nome de Andinho, mas ainda não vinha a memoria quem era. Na manha do dia 23.03 fui até o velório, e ti vi saindo, não sabia antes quem era vc, ate que ouvi alguem a comentar que vc era a esposa de Andinho. Entrei e vi as fotos de vcs dois na TV a passar. Foi ai que vi quem era Andinho. Não tinha aproximação com ele não, mas sempre o via, pois temos vários amigos em comum ( os meninos do bloco 'A TARA'). Enfim minha querida, não consigo um só dia, te confesso, não lembrar daquele trágico acidente que tirou de vc um pedaçinho. Mas com a força de pensamento espero um dia que essa sua dor ao menos seja amenizada. To aqui, em pensamento, honrando por ti. Tbm tenho um amor em minha vida e sempre me coloco em seu lugar e tento entender sua dor. Forçaaa, esteja onde ele estiver, COM CERTEZA estar ai pertinho de vc!!!

:: Mari :: disse...

Beth minha querida,

Fico até sem palavras neste momento pra você, sinto dor ao ler seus textos, seus momentos, lógico que não chega nem a um milésimo do que estás passando, mas não tem como não me envolver.
No dia que escrevestes sobre o episódio, fiquei chocada e não consegui escrever nada pra você, talvez seja covardia da minha parte, peço desculpa por isso, mas quando vi o nome de um filho que não deu tempo pra vir, vieram lágrimas aos olhos... Matheus é o nome do meu namorado e Matheusinho é como eu o chamo, chorei mesmo.

Então neste momento desejo do fundo do meu coração, que essa dor de alguma forma seja amenizada, que as lágrimas derramadas leve um pouco dessa dor que sentes... A saudade é a presença do amor que fica.

Receba meu carinho num abraço bem apertado.

Susane disse...

Oi Beth.
Talvez eu esteja sendo repetitiva (a outros) ao dizer que compartilho da sua dor. Mas a verdade é essa. Estamos num mesmo barco, só que sentindo algo diferente.
Achava que não tinha mais tempo para ver orkut. Blog então... só se fosse noticiário geral. E agora me pego aqui: vejo seu orkut com freqüência e seu blog... ah seu blog... busco sempre pra saber seu estado de espírito; pra saber o que vc tem a dizer “dele”; pra chorar junto com vc.
Há mais de 20 anos “tenho” (pq sempre terei) seu bb como um grande amigo, um irmão mesmo! É!! Irmão!!! Era assim que nos tratávamos... saudades!
Juntos vivemos muita coisa, fomos muito felizes. Tenho muita recordação desses lindos momentos. Ele sempre foi um dos maiores responsáveis por nossa diversão e união.
A maturidade nos levou a tomar rumos opostos, como tem sido com muitos outros que viveram àquela época.
Hoje nos encontrávamos pouco, há tempos não o via saindo da casa de seu pai, mas um momento ou outro nos esbarrávamos em horário de almoço. Suficiente para não tirar mais de minha memória.
Ele estava feliz, aliás ele sempre foi feliz, sorridente, carismático... todas as qualidades que vc conheceu bem. Mas ele estava diferente. Ainda mais feliz. E eu sei que o motivo disso era vc na vida dele.
Há tempos tinha vontade de te dizer: fiquei muito feliz por vc ter cruzado o caminho dele. Sei das suas qualidades. Sempre simpatizei com vc.
Desde os tempos de escola, sua serenidade, simplicidade e simpatia eram admiráveis. Qdo conheci seus irmãos (por quem tenho verdadeiro apreço) descobri que ali todos são assim. E constatei que vc era bem melhor do que eu imaginava. Vale só lembrar das palavras deles qdo falavam em vc.
E assim eu lembrei daqueles tempos. Qdo vi vc e Andinho juntos imaginei que ali morava uma felicidade indescritível. Foi uma transmissão de paz. Vc deve ser assim, a gente fica feliz com a felicidade de quem queremos bem.
Espero que não sinta ter sido tarde pra te dizer isso.
Me pego todos os dias lembrando dele. Todos esses dias mesmo, um a um.
Não sei medir o tamanho da minha dor, muito menos o tamanho da sua. Só sei que essa minha dor vai embora bem antes dessa que está consumindo seu peito.
Mas vai passar. Vai se transformar.
Nas orações que faço pra ele todos os dias, incluo vc.
Que vc encontre a paz que seu coração merece.
Sei que qdo vc precisar não será a mim que irá procurar, mas se assim quiser eu ficarei muito honrada em poder te ajudar. Te quero muito bem.
Fique em paz e conte comigo sempre que quiser!
Um grande beijo!

Beth Amorim disse...

Saibam que cada palavra que vocês deixam aqui, é um pouquinho de conforto que entra no meu coração...

Não tenho palavras para agradecer o apoio que vcs estão me dando...

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