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19 abril 2011

Dualidade.

"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas, minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos. Eu caminho, desequilibrada, em cima de uma linha tênue entre a lucidez e a loucura.  De ter amigos eu gosto porque preciso de ajuda pra sentir, embora quem se relacione comigo saiba que é por conta-própria e auto-risco. O que tenho de mais obscuro, é o que me ilumina. E a minha lucidez é que é perigosa"

(Clarice Lispector).

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Às vezes sinto como se eu tivesse travado uma luta comigo mesma. Sempre soube que eu não era uma só. Há tempos percebo que existe "outra de mim" aqui dentro. E esse outro alguém sou eu mesma, porém, um pouco diferente da que aparece pra todo mundo.

Duas pessoas que na maioria das vezes se entendem. Mas que em vários outros momentos, entram em divergência. Uma usa mais a razão. A outra, a emoção. Acho que os conflitos maiores entre elas surgem por causa disso. Nesses últimos dias é o que está acontecendo. A "eu" que usa a razão tenta convencer a "eu" que só usa a emoção, que é hora de reagir. Ela também diz que na vida não dá pra fazer pit stop pra resolver os assuntos emocionais. A "vida tem muita coisa pra fazer", e por isso não tem como esperar.

A "eu emoção" até entende o que a "eu razão" diz. Porém,  às vezes ela se deixa levar pela dor que teima em não passar. E, nesse momento, ela chora… Ela deixa as lembranças mais fortes chegarem… Ela se pergunta "por que"… Ela sofre… Ela se enfia na cama, imersa em sua dor… Ela sente a saudade rasgar-lhe o peito… Ela se descuida… Ela esquece de sorrir… de dormir… de comer… Ela mergulha no oceano de sofrimento e lamenta-se pelo o que já não pode mais ser.  Apesar de saber que nada disso adianta, a "eu emoção" entrega-se por achar que tudo isso é mais forte do que ela.

E então, quebrando todas as barreiras do desespero, a "eu razão" entra em cena e tenta colocar "a casa" em ordem novamente. Por incrível que pareça, ela consegue. Ela é forte. Ela tem autoestima pra dar e vender. Ela encara de frente as adversidades, e passa por cima de todas elas. Ela tem consciência do que pode fazer por si mesma. Ela faz com que a "eu emoção" durma… Sossegue… Ela mostra-lhe como sair desse buraco. Ela dá uma injeção de ânimo nesse corpo que tende a tombar a qualquer momento.

É obra da "eu razão" a breve vontade de sair de casa, os jantares com a família, as conversas com os amigos, o estímulo para continuar o trabalho, as lembranças boas e até os sutis sorrisos que surgem nessa face tão triste.

É nela que está a força. É nela que está a lucidez.

E é ela que me faz sobreviver no meio dessa tempestade…

 

"Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão, escrevo." (Caio F.)

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2 mil pitacos!:

Non Nattus Júnior disse...

Olá Beth.
" Ela encara de frente as adversidades."
Esta postura do seu "eu razão",é a confirmação da sua força de mulher.
Os fortes interiormente fazem parte de uma minoria privilegiada e vc é uma dessas pessoas.A vida (mesmo sendo virtualmente) deu-me o privilégio de conhecê-la.
A tempestade sempre leva as coisas fragéis,pode avariar outras, mas deixa intactas as bem alicerçadas.
Um abraço e obrigado por esse seu exemplo.

Ana Cristina disse...

sou muito dualista, acho que existem varias pessoas em mim...e todas mulheres...tento entender todas elas, é meio louco mas,é assim que me sinto: varias em uma só.

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